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Energia

Custo de superpetroleiro dos EUA para a China dispara para 76 milhões de dólares

A Trafigura fretou o Alexandros para carregar petróleo na Costa do Golfo dos EUA por volta de 19 de novembro. Antes da guerra no Golfo Pérsico, a mesma rota custaria entre 7 milhões e 10 milhões de dólares.

Redação Clareza
07 de outubro de 2026, 20:013 min de leitura
Custo de superpetroleiro dos EUA para a China dispara para 76 milhões de dólares

O que se passou

Um superpetroleiro foi fretado para transportar petróleo da Costa do Golfo dos EUA para a China por 76 milhões de dólares, de acordo com uma fonte familiarizada com a operação citada pela CNBC.

O navio Alexandros foi fretado pela trading Trafigura e deverá carregar por volta de 19 de novembro. Antes da guerra no Golfo Pérsico, uma viagem semelhante nesta rota custaria entre 7 milhões e 10 milhões de dólares.

O custo equivale a 38 dólares por barril, assumindo uma carga de 2 milhões de barris. A subida reflete a escassez de petroleiros disponíveis, num momento em que a crise no Médio Oriente está a alterar as rotas e a utilização da frota.

Os produtores do Médio Oriente estão a usar um sistema de transbordo para exportar petróleo pelo estreito de Ormuz. Um petroleiro carregado atravessa o estreito e transfere depois a carga para outro navio no golfo de Omã, que segue para a Ásia. O método reduz a exposição a ataques iranianos, mas exige mais navios para transportar o mesmo volume.

O que isto significa

O frete passou de um custo logístico relativamente previsível para uma variável central no preço final do petróleo entregue na Ásia. Quando uma viagem custa 76 milhões de dólares, o transporte deixa de ser apenas uma linha operacional e passa a influenciar margens de traders, refinarias e compradores.

A rota entre os EUA e a China também mostra como a tensão no Golfo Pérsico afeta cadeias de abastecimento fora da região. A falta de navios disponíveis numa zona aumenta a procura por capacidade noutras rotas e pode encarecer negócios que não passam diretamente pelo estreito de Ormuz.

Investidores em energia, transportes marítimos ou empresas industriais expostas ao petróleo devem acompanhar mais do que o preço do barril. O custo de levar esse barril até ao destino pode alterar a competitividade entre fornecedores e pressionar empresas que compram crude no mercado internacional.

O sistema de transbordo ajudou a recuperar exportações através de Ormuz, mas imobiliza mais navios por cada carga exportada. Enquanto essa necessidade adicional de frota se mantiver, o mercado de petroleiros fica mais sensível a qualquer aumento de procura ou perturbação operacional.

Porque deves querer saber

O frete torna-se parte maior do preço do petróleo

O valor de 76 milhões de dólares torna a viagem do Alexandros muito mais cara do que o padrão pré-guerra para a mesma rota. A diferença aumenta o custo total do crude entregue e pode reduzir a margem de quem compra, refina ou revende o petróleo.

A estimativa de 38 dólares por barril para o transporte mostra a escala do choque. Mesmo sem alterar o preço do barril no mercado, o custo logístico pode mudar a economia de uma carga inteira.

Ormuz continua a ditar a disponibilidade de navios

O sistema usado pelos produtores do Médio Oriente reduz a exposição dos petroleiros carregados ao atravessar o estreito de Ormuz. A contrapartida é simples. São precisos mais navios para completar cada exportação.

Essa utilização adicional de frota aperta a oferta global de petroleiros. O efeito chega a rotas como a Costa do Golfo dos EUA para a China, onde compradores e traders competem por navios num mercado mais curto.

Fontes

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