Petróleo dos EUA supera 98 dólares com ataques em Ormuz
O WTI subiu cerca de 3%, enquanto o Brent recuou ligeiramente. O afundamento de um navio no estreito de Ormuz agravou os receios sobre o abastecimento.
O que se passou
Os futuros do West Texas Intermediate (WTI), a referência do petróleo norte-americano, para entrega em novembro subiram cerca de 3%, ou 2,94 dólares, para 98,03 dólares por barril na quinta-feira, 15 de outubro. O Brent, referência internacional, para entrega em dezembro caiu 29 cêntimos, para 105,77 dólares.
Os investidores avaliaram o risco de interrupções no abastecimento após ataques a navios no estreito de Ormuz. Um navio registado em Singapura foi afundado nesta passagem marítima. A autoridade marítima de Singapura condenou o ataque na quarta-feira, classificando-o como injustificado e contrário ao direito internacional.
A subida do petróleo norte-americano também foi apoiada pela redução das reservas nos EUA. Os dados da Administração de Informação de Energia mostraram uma queda de 8 milhões de barris na semana terminada a 9 de outubro.
No relatório mensal de outubro, divulgado na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que as restrições no mercado do gasóleo podem prolongar-se pelo próximo ano. A agência advertiu ainda que novos ataques à Arábia Saudita ameaçam a recuperação da oferta de petróleo.
A administração Trump está a ponderar aliviar sanções sobre navios da chamada frota-sombra, que transportam petróleo e derivados de países como a Rússia, noticiou a Reuters. Segundo a CNN, os militares norte-americanos prepararam planos para novos ataques ao Irão. Trump tinha afirmado que não retomaria os ataques antes das eleições intercalares de 3 de novembro.
O que isto significa
A subida do WTI junta dois fatores de pressão sobre o abastecimento. Os ataques em Ormuz ameaçam o transporte de petróleo, enquanto a redução das reservas norte-americanas diminui o volume armazenado nos EUA.
O Brent recuou ligeiramente na mesma sessão. A diferença entre as duas referências mostra que a tensão em Ormuz não se traduziu numa subida uniforme dos contratos de petróleo. Além disso, os preços citados correspondem a meses de entrega diferentes.
Há mecanismos a amortecer o risco de escassez. Firas Bechwaty, responsável pelo desenvolvimento de negócio da plataforma de negociação ICM, afirmou que o petróleo saudita continua a chegar aos compradores por rotas alternativas. Acrescentou que a aceleração das libertações de reservas de emergência pelos membros da AIE ajuda a conter a subida dos preços.
O alerta sobre o gasóleo alarga a preocupação aos combustíveis refinados. Se acompanhas o setor energético, a evolução do transporte em Ormuz e a disponibilidade destes produtos são dois elementos distintos a observar. A manutenção de rotas alternativas para o crude não elimina, por si só, as restrições identificadas pela AIE no gasóleo.
Porque deves querer saber
Menos reservas dão apoio ao WTI
A queda de 8 milhões de barris nas reservas norte-americanas acrescentou suporte ao WTI numa sessão marcada pelo risco de interrupções em Ormuz. O movimento não dependeu apenas das notícias sobre o conflito.
Se acompanhas investimentos ligados ao petróleo, a distinção entre WTI e Brent importa. Nesta sessão, a referência norte-americana subiu cerca de 3%, mas a internacional recuou ligeiramente, pelo que não houve uma valorização generalizada do crude.
Rotas alternativas amortecem o choque
O transporte de petróleo saudita por vias alternativas e as libertações de reservas de emergência estão a funcionar como amortecedores, segundo o responsável da ICM. Estes recursos ajudam a explicar por que razão o risco em Ormuz pode coexistir com movimentos limitados em parte do mercado.
O gasóleo continua, porém, sob pressão. O aviso da AIE de que as restrições podem prolongar-se pelo próximo ano indica que a recuperação da oferta de petróleo não resolve automaticamente a disponibilidade de todos os combustíveis.

