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Energia

Petróleo dos EUA supera 98 dólares com ataques em Ormuz

O WTI subiu cerca de 3%, enquanto o Brent recuou ligeiramente. O afundamento de um navio no estreito de Ormuz agravou os receios sobre o abastecimento.

Redação Clareza
15 de outubro de 2026, 20:013 min de leitura
Petróleo dos EUA supera 98 dólares com ataques em Ormuz

O que se passou

Os futuros do West Texas Intermediate (WTI), a referência do petróleo norte-americano, para entrega em novembro subiram cerca de 3%, ou 2,94 dólares, para 98,03 dólares por barril na quinta-feira, 15 de outubro. O Brent, referência internacional, para entrega em dezembro caiu 29 cêntimos, para 105,77 dólares.

Os investidores avaliaram o risco de interrupções no abastecimento após ataques a navios no estreito de Ormuz. Um navio registado em Singapura foi afundado nesta passagem marítima. A autoridade marítima de Singapura condenou o ataque na quarta-feira, classificando-o como injustificado e contrário ao direito internacional.

A subida do petróleo norte-americano também foi apoiada pela redução das reservas nos EUA. Os dados da Administração de Informação de Energia mostraram uma queda de 8 milhões de barris na semana terminada a 9 de outubro.

No relatório mensal de outubro, divulgado na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que as restrições no mercado do gasóleo podem prolongar-se pelo próximo ano. A agência advertiu ainda que novos ataques à Arábia Saudita ameaçam a recuperação da oferta de petróleo.

A administração Trump está a ponderar aliviar sanções sobre navios da chamada frota-sombra, que transportam petróleo e derivados de países como a Rússia, noticiou a Reuters. Segundo a CNN, os militares norte-americanos prepararam planos para novos ataques ao Irão. Trump tinha afirmado que não retomaria os ataques antes das eleições intercalares de 3 de novembro.

O que isto significa

A subida do WTI junta dois fatores de pressão sobre o abastecimento. Os ataques em Ormuz ameaçam o transporte de petróleo, enquanto a redução das reservas norte-americanas diminui o volume armazenado nos EUA.

O Brent recuou ligeiramente na mesma sessão. A diferença entre as duas referências mostra que a tensão em Ormuz não se traduziu numa subida uniforme dos contratos de petróleo. Além disso, os preços citados correspondem a meses de entrega diferentes.

Há mecanismos a amortecer o risco de escassez. Firas Bechwaty, responsável pelo desenvolvimento de negócio da plataforma de negociação ICM, afirmou que o petróleo saudita continua a chegar aos compradores por rotas alternativas. Acrescentou que a aceleração das libertações de reservas de emergência pelos membros da AIE ajuda a conter a subida dos preços.

O alerta sobre o gasóleo alarga a preocupação aos combustíveis refinados. Se acompanhas o setor energético, a evolução do transporte em Ormuz e a disponibilidade destes produtos são dois elementos distintos a observar. A manutenção de rotas alternativas para o crude não elimina, por si só, as restrições identificadas pela AIE no gasóleo.

Porque deves querer saber

Menos reservas dão apoio ao WTI

A queda de 8 milhões de barris nas reservas norte-americanas acrescentou suporte ao WTI numa sessão marcada pelo risco de interrupções em Ormuz. O movimento não dependeu apenas das notícias sobre o conflito.

Se acompanhas investimentos ligados ao petróleo, a distinção entre WTI e Brent importa. Nesta sessão, a referência norte-americana subiu cerca de 3%, mas a internacional recuou ligeiramente, pelo que não houve uma valorização generalizada do crude.

Rotas alternativas amortecem o choque

O transporte de petróleo saudita por vias alternativas e as libertações de reservas de emergência estão a funcionar como amortecedores, segundo o responsável da ICM. Estes recursos ajudam a explicar por que razão o risco em Ormuz pode coexistir com movimentos limitados em parte do mercado.

O gasóleo continua, porém, sob pressão. O aviso da AIE de que as restrições podem prolongar-se pelo próximo ano indica que a recuperação da oferta de petróleo não resolve automaticamente a disponibilidade de todos os combustíveis.

Fontes

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