Saltar para o conteúdo
Dados de mercado temporariamente indisponíveis.

Recebe o Café com Clareza

Três notícias explicadas, os números do mercado e a leitura da equipa Clareza. Todos os dias úteis às 8h30, em 5 minutos.

Energia

Petróleo cai após Trump anunciar cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia

Donald Trump disse que Rússia e Ucrânia aceitaram deixar de atacar instalações energéticas uma da outra. Zelenskyy afirmou que a Ucrânia apoia o cessar-fogo, mas sublinhou que a Rússia também tem de o cumprir.

Redação Clareza
12 de outubro de 2026, 07:013 min de leitura
Petróleo cai após Trump anunciar cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia

O que se passou

Os preços do petróleo caíram na segunda-feira depois de Donald Trump anunciar um “cessar-fogo energético” entre Rússia e Ucrânia, com efeito imediato. A declaração apontou para um acordo para que as partes deixem de atingir instalações energéticas uma da outra.

O Brent, referência internacional, para entrega em dezembro recuou 0,77% para 103,91 dólares por barril. O West Texas Intermediate, referência dos EUA, para entrega em novembro caiu 1,26% para 90,69 dólares por barril.

Volodymyr Zelenskyy afirmou numa publicação nas redes sociais que a Ucrânia apoia o cessar-fogo e que é importante que a Rússia também o apoie. A queda do petróleo refletiu a expectativa de menor risco para infraestruturas energéticas e de maior disponibilidade de oferta.

Trump também disse na sexta-feira que Moscovo fornecerá mais de 4 milhões de toneladas de gasóleo ao mercado global, no âmbito de um acordo alcançado com Vladimir Putin numa chamada telefónica.

No Médio Oriente, a agência estatal saudita noticiou que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, falou por telefone com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan bin Abdullah, sobre a escalada recente na região e os esforços para a conter. A Al Jazeera noticiou que Araghchi disse que o Irão estava disponível para ajudar a iniciar diálogo entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iémen.

O que isto significa

A reação do petróleo mostra como o mercado continua muito sensível a sinais de risco geopolítico sobre a oferta. Se instalações energéticas russas e ucranianas ficarem menos expostas a ataques, os investidores tendem a descontar menor probabilidade de interrupções físicas no fornecimento.

A promessa de mais de 4 milhões de toneladas de gasóleo russo para o mercado global também pesa na leitura de curto prazo. Mais produto disponível pode aliviar alguma pressão sobre os combustíveis, sobretudo quando a oferta tem sido condicionada por conflitos e tensões regionais.

A queda não elimina a volatilidade. O material disponível aponta para a continuação do conflito entre EUA e Irão e para o impacto do furacão Isaias sobre produtores de energia nos EUA como fatores que podem afetar a oferta.

A UOB afirmou que a pressão sobre os preços do petróleo pode continuar virada para cima, depois de o furacão Isaias se ter intensificado para categoria 3, com ventos de 120 milhas por hora, ao aproximar-se da costa do Golfo dos EUA e levar produtores a reduzir produção offshore. O banco também referiu ataques de mísseis Houthis ao aeroporto de Riade, que mataram 12 pessoas e feriram mais de 300, como fator que elevou o prémio de risco no Médio Oriente.

Porque deves querer saber

O petróleo desconta menor risco de oferta

A descida do Brent e do West Texas Intermediate veio depois de Trump dizer que Rússia e Ucrânia aceitaram poupar instalações energéticas. Para o mercado, isso reduz o risco imediato de interrupções em infraestruturas que afetam combustíveis, transporte e refinação.

O recuo foi moderado, mas relevante porque aconteceu sobre preços ainda elevados. O Brent continuou acima de 100 dólares por barril e o WTI ficou acima de 90 dólares, o que mostra que o mercado não retirou por completo o prémio de risco geopolítico.

A energia continua presa à geopolítica e ao clima

O possível alívio no eixo Rússia-Ucrânia não resolve outros focos de pressão. O conflito entre EUA e Irão, os ataques Houthis na Arábia Saudita e o contacto diplomático entre Teerão e Riade mantêm o Médio Oriente no centro da formação de preços.

O furacão Isaias acrescenta uma camada diferente de risco. Se produtores no Golfo dos EUA reduzem produção offshore, a oferta pode apertar mesmo quando há notícias diplomáticas favoráveis noutros pontos do mercado energético.

Fontes

Partilhar

Esta análise foi útil?