Ouro e prata caem após inflação dos EUA acima do esperado
Os dados de setembro aumentaram as expectativas de uma nova subida de juros pela Reserva Federal. O dólar mais forte também pesou sobre os metais preciosos.
O que se passou
Os preços do ouro e da prata caíram na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, depois de os dados da inflação norte-americana terem ficado acima das previsões. Às 10h00 em Nova Iorque, os futuros do ouro recuavam 1,6%, para 4.111 dólares, enquanto o ouro à vista caía 1,5%, para 4.093,84 dólares.
A prata teve uma queda mais acentuada. Os futuros desciam 5,2%, para 56,42 dólares, e a prata à vista perdia mais de 5,3%, para 56,28 dólares, no mesmo momento.
O índice de preços no consumidor dos EUA subiu 0,6% em setembro face ao mês anterior e 3,7% em termos anuais. A leitura anual ficou acima da expectativa de 3,6%. O índice subjacente, que exclui alimentação e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, também acima das previsões.
O movimento aumentou a probabilidade atribuída pelo mercado a uma subida de juros na reunião da Reserva Federal de 28 de outubro. A ferramenta FedWatch da CME Group apontava para uma probabilidade de 53,7% na manhã de quarta-feira, contra 22% antes da divulgação dos dados, de acordo com a Reuters.
O que isto significa
O ouro e a prata não pagam juros. Quando o mercado passa a esperar taxas mais altas, estes metais tornam-se menos atrativos face a instrumentos que oferecem rendimento, como dívida pública ou depósitos remunerados.
A subida do dólar acrescenta pressão. O dólar valorizava quase 0,7% na quarta-feira e estava perto de máximos de 18 meses. Como o ouro e a prata são negociados em dólares, uma moeda norte-americana mais forte tende a encarecer estes metais para compradores que usam outras moedas.
A reação também mostra que a inflação continua a ser o dado que mais condiciona a política monetária norte-americana. A Reserva Federal fica confrontada com uma inflação acima do esperado e com a decisão de apertar ou não a política monetária na reunião de 28 de outubro.
Para quem investe, a queda reforça a sensibilidade dos metais preciosos às expectativas de juros. O ouro e a prata tinham atingido máximos históricos em janeiro, quando o ouro chegou a 5.600 dólares e a prata superou 120 dólares. Os preços atuais mostram uma reversão forte face a esse pico.
Porque deves querer saber
A prata sentiu mais o choque dos juros
A prata caiu mais de 5%, um movimento bem mais forte do que o do ouro. A diferença mostra que, numa sessão dominada por inflação e juros, os investidores reduziram exposição aos metais que não oferecem rendimento.
O recuo levou a prata para o nível mais baixo desde o fim de julho. O ouro também ficou perto de mínimos de cerca de dois meses e meio, excluindo uma queda breve da semana anterior que levou os futuros abaixo de 4.100 dólares.
A inflação volta a mandar na Fed
A inflação de setembro ficou acima das previsões e mudou rapidamente as probabilidades atribuídas a uma subida de juros em outubro. O mercado passou de uma probabilidade de 22% antes dos dados para 53,7% na manhã de quarta-feira.
Ole S. Hansen, responsável de estratégia de matérias-primas do Saxo Bank, afirmou que os metais ficaram sob pressão depois da subida da inflação, que aumentou a especulação sobre uma subida de juros já na reunião de 28 de outubro. A reação dos metais mostra como as matérias-primas continuam dependentes da trajetória da política monetária dos EUA.

