OpenAI e Anthropic contratam antigos responsáveis de Trump
As empresas de IA procuram reforçar a relação com Washington, numa altura em que a tecnologia de fronteira é tratada cada vez mais como tema de segurança nacional.
O que se passou
A Anthropic e a OpenAI contrataram antigos responsáveis das administrações de Donald Trump para funções séniores, de acordo com a CNBC. A Anthropic nomeou este ano pelo menos dois antigos responsáveis, um para o conselho de administração e outro para liderar a estratégia de computação de fronteira.
A OpenAI contratou pelo menos três antigos responsáveis ligados às administrações de Trump para funções em estratégia e projetos especiais. As contratações surgem enquanto as empresas de IA tentam criar relações mais próximas com a Casa Branca.
A Anthropic nomeou Chris Liddell para o conselho de administração em fevereiro. Liddell foi deputy White House chief of staff durante o primeiro mandato de Trump. Em setembro, Sihao Huang entrou na empresa como responsável pela estratégia de frontier compute, a área ligada à infraestrutura necessária para treinar e operar modelos avançados de IA.
A relação da Anthropic com a administração Trump tem sido tensa este ano. Em setembro, um tribunal de recurso dos EUA confirmou uma designação do Pentágono que classificava a Anthropic como risco para a cadeia de fornecimento, depois de um conflito público entre as duas partes no início do ano.
A OpenAI remeteu a CNBC para declarações anteriores sobre duas das nomeações de antigos responsáveis de Trump. A Anthropic e a Casa Branca não responderam a pedidos de comentário.
O que isto significa
As grandes empresas de IA estão a tratar Washington como um mercado decisivo para o crescimento. A política pública pode afetar compras federais, controlos de exportação, acesso a cadeias de fornecimento e regras de segurança.
Isto aproxima a IA de outros setores em que a relação com o Estado pesa diretamente no negócio, como defesa, semicondutores e cloud. Quando os modelos mais avançados dependem de data centers, chips e autorização política para operar em escala, a capacidade de negociar com reguladores torna-se parte da execução empresarial.
A mudança também mostra que a corrida da IA já não se mede apenas por modelos melhores ou mais utilizadores. As empresas querem reduzir risco político e ganhar credibilidade junto de uma administração que pode apertar regras, favorecer fornecedores ou limitar operações.
Para quem investe no setor, estas contratações ajudam a perceber onde estão os riscos menos visíveis. A avaliação das empresas de IA passa também pela forma como navegam segurança nacional, contratos públicos e controlo de infraestruturas críticas.
Porque deves querer saber
Washington entrou na conta da IA
OpenAI e Anthropic estão a contratar pessoas que conhecem o funcionamento da administração Trump. Isso pode ajudar as empresas a antecipar decisões sobre compras públicas, exportações e cadeias de fornecimento.
A Anthropic tem um incentivo adicional. A designação do Pentágono como risco para a cadeia de fornecimento mostra que uma decisão política pode afetar diretamente a reputação e as oportunidades comerciais de uma empresa de IA.
A tecnologia de fronteira ganhou estatuto político
A IA avançada está a ser tratada como infraestrutura estratégica. Os modelos dependem de chips, cloud e data centers, áreas em que os governos têm poder através de regras, contratos e restrições.
Esta aproximação à política diz que o setor está a amadurecer depressa. As empresas que querem liderar a IA precisam de talento técnico, mas também de capacidade para lidar com segurança nacional e regulação.

