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Tecnologia

NextNav procura rede terrestre para servir de apoio ao GPS nos EUA

A empresa quer reaproveitar espectro nos 900 MHz para uma rede de posicionamento, navegação e sincronização. A SpaceX pediu à FCC que avance com a alteração regulatória proposta pela NextNav.

Redação Clareza
04 de outubro de 2026, 14:234 min de leitura
NextNav procura rede terrestre para servir de apoio ao GPS nos EUA

O que se passou

A NextNav está a desenvolver uma rede terrestre de posicionamento, navegação e sincronização, conhecida como PNT, para complementar e servir de apoio ao GPS nos Estados Unidos. Tim Gray, diretor financeiro da empresa, apresentou a estratégia na Lytham Partners Fall 2026 Investor Conference.

A proposta combina a tecnologia PNT da NextNav com 14 MHz de espectro licenciado na faixa dos 900 MHz. Gray defendeu que o espectro abaixo de 1 GHz é relevante por chegar mais longe e penetrar melhor em edifícios, características úteis para redes sem fios.

A empresa pediu à FCC uma alteração de regras para reaproveitar a sua faixa de espectro para tecnologias mais recentes. O plano inclui blocos emparelhados de 5 por 10 MHz que poderiam suportar PNT e operações 5G, mantendo coexistência com utilizações licenciadas e não licenciadas já presentes na faixa.

O processo está em fase de revisão interagências. Segundo Gray, o Notice of Proposed Rulemaking da FCC já foi escrito e está a ser analisado através do Office of Information and Regulatory Affairs, ligado ao Office of Management and Budget. O responsável disse que a empresa está confiante na emissão do documento, mas não indicou calendário.

A SpaceX também enviou comentários ao processo da FCC. Gray disse que a SpaceX defendeu regras que permitam utilizações terrestres ou espaciais quando faixas de espectro são reaproveitadas e que pediu especificamente à FCC que avance com a proposta da NextNav.

O que isto significa

A NextNav está a tentar transformar espectro usado hoje em serviços de localização mais limitados numa infraestrutura com aplicação em PNT e 5G. Para quem investe, a tese depende menos de um lançamento imediato e mais da capacidade de a empresa obter autorização regulatória para mudar o uso da faixa.

O apoio público da SpaceX no processo da FCC dá visibilidade ao dossiê, mas não substitui uma decisão do regulador. A NextNav continua dependente da emissão do NPRM e dos passos seguintes da FCC antes de poder converter a proposta num serviço com maior escala comercial.

A tecnologia apresentada tenta resolver uma fragilidade conhecida do GPS, que depende de satélites. Uma rede terrestre poderia funcionar como redundância em ambientes onde o sinal é fraco, bloqueado ou vulnerável, incluindo interiores e aplicações de segurança pública.

Os testes já feitos dão algum suporte técnico à proposta. A NextNav disse ter obtido precisão de posicionamento até um metro em testes no Norte da Califórnia e também testou coexistência no Colorado com caminhos de ferro que têm licenças na mesma faixa. Ainda assim, resultados de teste não equivalem a aprovação regulatória nem a adoção comercial.

Porque deves querer saber

O espectro decide o próximo passo da NextNav

A NextNav tem uma oportunidade ligada a um ativo escasso, o espectro de baixa frequência. A empresa argumenta que os 14 MHz que detém nos 900 MHz podem suportar uma rede mais útil do que o enquadramento atual permite.

O efeito imediato está no processo da FCC. A emissão do NPRM colocaria a proposta num patamar formal de discussão regulatória e daria ao mercado mais elementos para avaliar prazos, oposição e condições técnicas.

A presença da SpaceX no dossiê aumenta a atenção sobre o tema. O comentário da empresa não aprova a proposta, mas mostra que há interesse de outros operadores em regras mais flexíveis para reaproveitar espectro.

A localização dentro de edifícios ganha peso

A NextNav não está apenas a falar de uma alternativa ao GPS em campo aberto. A empresa destaca a capacidade de medir a posição vertical, permitindo identificar a altitude de um utilizador dentro de um edifício, como o piso onde se encontra.

Essa diferença é relevante para serviços que dependem de localização precisa em interiores ou em locais onde o GPS falha. Segurança pública, redes móveis e aplicações comerciais podem beneficiar se a tecnologia funcionar em escala e com regras claras.

O setor está a olhar para o espectro como infraestrutura crítica. A mesma faixa pode ser disputada por serviços existentes, novas redes terrestres e propostas ligadas ao espaço, o que torna a decisão da FCC importante para mais do que uma empresa.

Fontes

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