EUA estudam novos ataques ao Irão com uma das suas maiores bombas não nucleares
A CNN avança que os planos militares incluem a bomba GBU-43/B, ainda não utilizada no Irão. Teerão promete continuar a lutar pelas suas exigências, enquanto os preços da energia pressionam os consumidores.
O que se passou
Os militares norte-americanos prepararam opções para retomar os ataques ao Irão que incluem a possível utilização da GBU-43/B, uma das maiores bombas não nucleares do seu arsenal. A informação foi avançada pela CNN nesta quinta-feira, 15 de outubro, com base em vários responsáveis norte-americanos conhecedores dos planos. A CNBC não confirmou a informação de forma independente e pediu um comentário ao Departamento da Defesa.
A arma foi concebida para atingir alvos à superfície numa área extensa. Foi utilizada pelos EUA no Afeganistão em 2017, durante a anterior administração de Donald Trump, mas não nos ataques anteriores contra alvos dentro do Irão.
Donald Trump afirmou na semana passada que não ordenaria a retoma dos ataques antes das eleições intercalares de 3 de novembro. Entretanto, o afundamento de um porta-contentores no estreito de Ormuz, na quarta-feira, e uma série de ataques mortais dos houthis, apoiados pelo Irão, contra a Arábia Saudita mantêm a tensão na região.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou num discurso televisivo na quarta-feira que Teerão deve continuar a combinar meios militares e defensivos com negociações e influência regional. Entre as exigências já apresentadas pelo Irão estão o levantamento do bloqueio naval e das sanções dos EUA e a retirada das forças norte-americanas da região.
O que isto significa
A preparação de opções militares não equivale a uma decisão de atacar. A informação da CNN acrescenta detalhe sobre os meios em análise, mas não substitui o compromisso público de Trump de suspender novos ataques até às eleições intercalares.
Os preços da energia já estão a transmitir os efeitos do conflito aos consumidores norte-americanos, acompanhados por pressões mais amplas sobre o custo de vida. A possibilidade de novos ataques mantém esse risco económico em foco, sem que a informação disponível permita quantificar um impacto adicional.
O afundamento de um navio no estreito de Ormuz e os ataques contra a Arábia Saudita mostram que a tensão não está limitada ao território iraniano. Se acompanhas investimentos expostos à energia ou ao transporte marítimo, os acontecimentos nestas rotas e instalações ajudam a avaliar a exposição ao conflito.
As exigências de Teerão também indicam que uma solução negociada envolve mais do que a suspensão dos bombardeamentos. O bloqueio naval, as sanções e a presença militar norte-americana continuam a separar as partes.
Porque deves querer saber
A energia já transmite o custo do conflito
A subida dos preços da energia está a fazer chegar o conflito ao orçamento dos consumidores norte-americanos. Essa pressão aumenta a importância económica dos acontecimentos no estreito de Ormuz e dos ataques contra a Arábia Saudita.
Para os teus investimentos, o dado imediato é a continuidade deste risco, não uma reação de mercado confirmada aos planos militares. A notícia não apresenta movimentos de cotações que permitam medir essa reação.
As eleições condicionam o calendário dos ataques
Trump comprometeu-se a não retomar os ataques antes de 3 de novembro. A existência de planos militares mostra que a pausa anunciada não significa que Washington tenha abandonado essa opção.
Teerão, entretanto, mantém exigências que abrangem sanções, bloqueio naval e presença militar na região. A distância entre essas posições ajuda a perceber por que razão a pausa nos ataques não elimina a incerteza económica associada ao conflito.

