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Macroeconomia

Regresso da Rússia às reuniões do G20 a convite dos EUA enfrenta oposição europeia

O ministro russo das Finanças participou nas negociações em Banguecoque, mas os europeus rejeitam a normalização das relações com Moscovo. A reunião terminou sem comunicado conjunto.

Redação Clareza
16 de outubro de 2026, 07:033 min de leitura
Regresso da Rússia às reuniões do G20 a convite dos EUA enfrenta oposição europeia

O que se passou

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, participou na quinta-feira na reunião financeira do G20 em Banguecoque, a convite dos Estados Unidos. Foi a sua segunda presença física neste encontro desde a invasão da Ucrânia, em 2022.

Os EUA, que assumiram este ano a presidência do G20, voltaram a acolher o ministro russo nas negociações entre responsáveis pelas Finanças e bancos centrais. Os encontros decorreram à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, rejeitou que a participação russa fosse tratada como um regresso à normalidade. Em agosto, na reunião de Asheville, já tinha recusado posar com Siluanov. A fotografia de grupo acabou por ser feita sem a delegação russa, após protestos europeus.

A reunião de Banguecoque terminou sem comunicado conjunto, perante divergências sobre o conflito no Médio Oriente, os desequilíbrios comerciais e a guerra na Ucrânia. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que normalmente presidiria às negociações, ficou em Washington.

O que isto significa

A aproximação de Washington a Moscovo está a expor diferenças entre os EUA e os aliados europeus sobre a pressão económica a exercer sobre a Rússia. A presença de Siluanov não significa, por isso, que exista um acordo entre os membros do G20 para normalizar as relações.

As sanções ao setor energético tornam esta divergência relevante para quem investe. A administração Trump apresentou também um acordo para suspender temporariamente, até abril, as sanções às importações de gasóleo russo. A iniciativa recebeu críticas do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e de aliados europeus.

A falta de um comunicado conjunto deixa sem uma posição comum temas que afetam a economia, incluindo os problemas energéticos associados ao conflito no Médio Oriente. O encontro poderia ter preparado uma resposta mais coordenada, mas as divisões persistiram.

A próxima cimeira de líderes do G20 está prevista para dezembro, em Miami. Até lá, a evolução das sanções e a capacidade de coordenação entre Washington e as capitais europeias são assuntos a acompanhar para perceber as condições de acesso à energia russa.

Porque deves querer saber

Washington reabre a porta, a Europa contesta

O convite norte-americano devolve à Rússia espaço nas negociações financeiras internacionais, mas encontra resistência entre os aliados europeus. A oposição de Klingbeil mostra que a presença à mesa não equivale a aceitação política.

Para quem investe, esta diferença impede tratar a iniciativa dos EUA como uma mudança consensual na relação com Moscovo. As decisões sobre sanções continuam a exigir atenção às posições de cada interveniente, e não apenas aos sinais enviados por Washington.

A energia fica presa às divergências diplomáticas

A discussão sobre o gasóleo russo decorre quando o conflito no Médio Oriente também pressiona a agenda energética. O ministro do Tesouro australiano, Jim Chalmers, pediu o fim do bloqueio iraniano do estreito de Ormuz e dos ataques a navios comerciais, afirmando que a guerra russa na Ucrânia agrava esses impactos.

Sem uma posição conjunta do G20, a reunião não produziu uma resposta coordenada a estes problemas. Acompanhar as decisões concretas sobre sanções e circulação de energia permite distinguir alterações económicas efetivas de gestos diplomáticos.

Fontes

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