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Energia

EUA ponderam aliviar sanções a petroleiros para baixar fretes

A proposta permitiria transportar petróleo não sancionado em navios sujeitos a restrições. A Energy Aspects antecipa um efeito reduzido nos custos do transporte marítimo.

Redação Clareza
15 de outubro de 2026, 12:023 min de leitura
EUA ponderam aliviar sanções a petroleiros para baixar fretes

O que se passou

A administração de Donald Trump está a estudar um alívio das sanções a petroleiros da chamada frota-sombra, segundo um responsável norte-americano. O objetivo é reduzir os custos globais do transporte marítimo de petróleo, que atingiram máximos históricos.

A frota-sombra inclui navios que transportaram petróleo e derivados de países como a Rússia, o Irão e a Venezuela. A proposta em discussão permitiria usar embarcações sancionadas para transportar petróleo e combustíveis que não estejam sujeitos a restrições dos EUA, com o objetivo de aumentar os embarques a partir do Golfo.

As empresas interessadas teriam de pedir autorização ao Departamento do Tesouro norte-americano. O Departamento da Energia afirmou que qualquer alívio das sanções aos navios não ajudaria a Rússia a transportar petróleo ou derivados.

As conversações surgem dias depois de Trump ter suspendido temporariamente as sanções ao gasóleo russo, até 7 de abril. Essa decisão foi criticada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por países europeus e por alguns senadores republicanos, que consideram que dará à Rússia receitas para financiar a guerra na Ucrânia.

O que isto significa

O custo de transportar petróleo está a afetar a capacidade dos produtores norte-americanos para competir nos mercados asiáticos. Os fretes elevados tornaram o crude dos EUA demasiado caro para algumas refinarias da região, levando-as a procurar alternativas no Médio Oriente e na América Latina.

Autorizar mais navios poderia facilitar certos carregamentos, mas não equivale a acrescentar capacidade nova ao mercado. A consultora Energy Aspects salienta que a maioria dos petroleiros sancionados pelas suas ligações à Rússia ou à Venezuela já esteve a operar nos últimos três meses.

A consultora admite que a medida possa disponibilizar um pequeno número de navios para trajetos no estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã. Não espera, porém, uma redução significativa dos fretes globais. Fontes do setor marítimo acrescentam que as seguradoras continuariam sujeitas às regras da União Europeia e do Reino Unido.

Se acompanhas o setor energético, a distinção relevante é entre facilitar embarques específicos e baixar os custos de transporte em todo o mercado. A proposta ainda está em discussão e as avaliações disponíveis apontam para um alcance mais limitado do que o objetivo anunciado por Washington.

Porque deves querer saber

Mais autorizações não significam mais navios

O alívio das sanções poderia permitir que empresas recorressem a determinados petroleiros mediante autorização do Tesouro norte-americano. Isso abriria opções para transportar petróleo não sancionado a partir do Golfo.

Mas muitos desses navios já estão a operar. Para avaliares o impacto nas transportadoras e nos custos dos produtores de petróleo, interessa perceber quanta capacidade adicional ficaria realmente disponível, e não apenas quantos navios obteriam autorização.

O transporte pesa na competitividade do petróleo

Os fretes em máximos históricos estão a desviar a procura de refinarias asiáticas do crude norte-americano para fornecedores do Médio Oriente e da América Latina. O custo da viagem pode alterar a escolha do fornecedor, mesmo sem uma mudança nas sanções ao petróleo transportado.

Washington procura aliviar esse custo através das regras aplicáveis aos navios. Porém, as restrições europeias e britânicas que vinculam as seguradoras mostram que uma decisão dos EUA, por si só, pode não chegar para reduzir os fretes de forma generalizada.

Fontes

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