EUA ponderam aliviar sanções a petroleiros para baixar fretes
A proposta permitiria transportar petróleo não sancionado em navios sujeitos a restrições. A Energy Aspects antecipa um efeito reduzido nos custos do transporte marítimo.
O que se passou
A administração de Donald Trump está a estudar um alívio das sanções a petroleiros da chamada frota-sombra, segundo um responsável norte-americano. O objetivo é reduzir os custos globais do transporte marítimo de petróleo, que atingiram máximos históricos.
A frota-sombra inclui navios que transportaram petróleo e derivados de países como a Rússia, o Irão e a Venezuela. A proposta em discussão permitiria usar embarcações sancionadas para transportar petróleo e combustíveis que não estejam sujeitos a restrições dos EUA, com o objetivo de aumentar os embarques a partir do Golfo.
As empresas interessadas teriam de pedir autorização ao Departamento do Tesouro norte-americano. O Departamento da Energia afirmou que qualquer alívio das sanções aos navios não ajudaria a Rússia a transportar petróleo ou derivados.
As conversações surgem dias depois de Trump ter suspendido temporariamente as sanções ao gasóleo russo, até 7 de abril. Essa decisão foi criticada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por países europeus e por alguns senadores republicanos, que consideram que dará à Rússia receitas para financiar a guerra na Ucrânia.
O que isto significa
O custo de transportar petróleo está a afetar a capacidade dos produtores norte-americanos para competir nos mercados asiáticos. Os fretes elevados tornaram o crude dos EUA demasiado caro para algumas refinarias da região, levando-as a procurar alternativas no Médio Oriente e na América Latina.
Autorizar mais navios poderia facilitar certos carregamentos, mas não equivale a acrescentar capacidade nova ao mercado. A consultora Energy Aspects salienta que a maioria dos petroleiros sancionados pelas suas ligações à Rússia ou à Venezuela já esteve a operar nos últimos três meses.
A consultora admite que a medida possa disponibilizar um pequeno número de navios para trajetos no estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã. Não espera, porém, uma redução significativa dos fretes globais. Fontes do setor marítimo acrescentam que as seguradoras continuariam sujeitas às regras da União Europeia e do Reino Unido.
Se acompanhas o setor energético, a distinção relevante é entre facilitar embarques específicos e baixar os custos de transporte em todo o mercado. A proposta ainda está em discussão e as avaliações disponíveis apontam para um alcance mais limitado do que o objetivo anunciado por Washington.
Porque deves querer saber
Mais autorizações não significam mais navios
O alívio das sanções poderia permitir que empresas recorressem a determinados petroleiros mediante autorização do Tesouro norte-americano. Isso abriria opções para transportar petróleo não sancionado a partir do Golfo.
Mas muitos desses navios já estão a operar. Para avaliares o impacto nas transportadoras e nos custos dos produtores de petróleo, interessa perceber quanta capacidade adicional ficaria realmente disponível, e não apenas quantos navios obteriam autorização.
O transporte pesa na competitividade do petróleo
Os fretes em máximos históricos estão a desviar a procura de refinarias asiáticas do crude norte-americano para fornecedores do Médio Oriente e da América Latina. O custo da viagem pode alterar a escolha do fornecedor, mesmo sem uma mudança nas sanções ao petróleo transportado.
Washington procura aliviar esse custo através das regras aplicáveis aos navios. Porém, as restrições europeias e britânicas que vinculam as seguradoras mostram que uma decisão dos EUA, por si só, pode não chegar para reduzir os fretes de forma generalizada.

