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Macroeconomia

Dólar tem a maior queda em mais de um mês com receios sobre a IA

A procura de obrigações do Tesouro dos EUA fez baixar as rendibilidades e pressionou a moeda. O recuo apagou os ganhos alimentados por dados de inflação acima do esperado.

Redação Clareza
16 de outubro de 2026, 08:323 min de leitura
Dólar tem a maior queda em mais de um mês com receios sobre a IA

O que se passou

O Bloomberg Dollar Spot Index, que acompanha o dólar face a um conjunto de moedas, caiu 0,3% na quinta-feira, 15 de outubro de 2026. Foi a maior descida desde 3 de setembro. A moeda norte-americana perdeu terreno face a quase todas as principais divisas, incluindo cerca de 1% perante o franco suíço.

Andrew Hazlett, operador de câmbios da Monex, atribuiu o movimento à venda de dívida ligada à inteligência artificial. Segundo o operador, os investidores procuraram abrigo nas obrigações do Tesouro dos EUA, fazendo subir os preços destes títulos e baixar as suas rendibilidades, o que pressionou o dólar.

A queda ocorreu apesar de novos sinais de pressão sobre os preços. Os preços no produtor nos EUA subiram 1,3% em setembro, o maior aumento em mais de quatro anos. As vendas a retalho também superaram as previsões, impulsionadas pela despesa com gasolina.

Na véspera, os dados da inflação no consumidor acima do esperado tinham reavivado as expectativas de subidas das taxas de juro pela Reserva Federal. Esse movimento levou temporariamente o dólar ao nível mais elevado desde maio de 2025, mas os ganhos acabaram por ser anulados.

O que isto significa

A sessão mostrou que a procura de segurança pode favorecer a dívida pública norte-americana sem beneficiar o dólar. Neste caso, a descida das rendibilidades das obrigações pesou sobre a moeda, mesmo com dados económicos que mantinham a pressão para juros mais altos.

As preocupações com o investimento em IA passaram, assim, para além das empresas tecnológicas. Alex Cohen, estratega do Bank of America, destacou a ligação estreita entre o dólar e a despesa em IA, considerando que problemas no setor podem acabar por penalizar a moeda.

A próxima indicação para a política monetária era esperada nas declarações do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Grupo Banco Mundial, em Banguecoque. A intervenção estava prevista para o final de quinta-feira, na hora de Nova Iorque, antes do período de silêncio que antecede a reunião de outubro.

Se tens investimentos denominados em dólares, a evolução cambial também conta para o retorno medido em euros. A sessão evidencia por que razão os dados de inflação, por si só, não chegam para explicar o comportamento da moeda quando há mudanças na procura de obrigações.

Porque deves querer saber

A procura de segurança não travou a queda do dólar

Os investidores procuraram obrigações do Tesouro dos EUA, mas essa procura não se traduziu numa valorização da moeda. A subida dos preços das obrigações fez baixar as rendibilidades, retirando apoio ao dólar, segundo a explicação do operador da Monex.

A distinção interessa se acompanhas investimentos em dólares. O movimento das obrigações e o da moeda podem seguir direções diferentes, pelo que uma valorização da dívida não garante um ganho cambial.

Os receios com a IA chegam ao mercado cambial

A venda de dívida ligada à IA esteve associada a uma deslocação de dinheiro para títulos considerados mais seguros. O financiamento do setor tornou-se, nesta sessão, relevante também para as obrigações públicas e para o dólar.

A ligação apontada pelo estratega do Bank of America ajuda a perceber essa transmissão. As dúvidas sobre a despesa em IA podem afetar a moeda norte-americana, mesmo quando a inflação e o consumo continuam a surpreender em alta.

Fontes

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