Preços à produção na China aceleram para 5% em setembro
O índice de preços no produtor subiu ao ritmo mais forte desde junho de 2022, impulsionado pela energia e pelo carvão. A inflação no consumidor avançou 0,9%, ligeiramente abaixo do esperado.
O que se passou
O índice de preços no produtor da China subiu 5% em setembro, o ritmo mais rápido em mais de quatro anos. O avanço superou os 4,5% esperados pelos economistas inquiridos pela Reuters e acelerou face aos 3,8% registados no mês anterior.
A subida foi impulsionada por custos mais altos de combustível, que aumentam as despesas das empresas. O Gabinete Nacional de Estatística da China também apontou para preços mais elevados no setor do carvão, associados à maior procura para aquecimento no inverno, a oferta temporariamente apertada em grandes zonas produtoras e a expectativas de subida dos preços internacionais do carvão.
A inflação no consumidor subiu 0,9% em setembro. Ficou ligeiramente abaixo da estimativa de 1%, mas acima dos 0,8% do mês anterior.
Dong Lijuan, estatística-chefe da Divisão Urbana do Gabinete Nacional de Estatística, atribuiu a subida da inflação no consumidor aos preços da gasolina, que aumentaram 16,6% e acrescentaram cerca de 0,47 pontos percentuais ao índice. A queda de 1,7% nos preços dos alimentos compensou parte desse efeito e retirou 0,29 pontos percentuais ao índice.
O que isto significa
A aceleração dos preços à produção mostra que a pressão de custos voltou com mais força à indústria chinesa. Para empresas expostas a matérias-primas, energia ou produção na China, isto pode significar margens mais apertadas se não conseguirem passar os custos para os clientes.
O contraste com a inflação no consumidor continua relevante. Os preços pagos pelas famílias subiram menos do que o esperado, o que levou Zhiwei Zhang, presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management, a apontar para uma procura interna ainda fraca.
Hao Zhou, economista-chefe da Guotai Junan International Holdings, viu no PPI mais alto um sinal de que a economia se está a afastar gradualmente das pressões deflacionistas. Ao mesmo tempo, considerou que a recuperação da procura interna continua mais lenta do que a do setor industrial.
Os dados chegam depois de o crescimento do PIB no segundo trimestre ter ficado em 4,3%, abaixo das expectativas e no ritmo mais baixo em mais de três anos. Em agosto, as vendas a retalho cresceram menos do que o esperado, enquanto a produção industrial superou as previsões.
Porque deves querer saber
A energia volta a pesar nos custos das empresas
A subida de 5% nos preços à produção coloca os custos industriais no centro da atenção. Combustíveis e carvão foram os motores principais, o que afeta diretamente empresas com consumo energético elevado ou cadeias de abastecimento dependentes da China.
Para quem investe, a questão passa pelas margens. Se as empresas absorvem custos mais altos, a rentabilidade pode sofrer. Se os transferem para os clientes, a pressão pode aparecer mais tarde nos preços finais.
A indústria recupera antes do consumidor
A inflação ao produtor mais forte contrasta com uma inflação no consumidor de 0,9%, abaixo do esperado. A indústria mostra sinais de menor pressão deflacionista, mas as famílias ainda não estão a puxar os preços com a mesma intensidade.
Esta diferença ajuda a explicar porque Pequim continua sob pressão para apoiar a economia. O Conselho de Estado sinalizou em 28 de setembro que poderá haver mais ajustamento anticíclico das políticas macroeconómicas, uma forma de estímulo usada para contrariar fases de abrandamento.

