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Macroeconomia

China aumenta reservas de ouro pelo 23.º mês seguido

O Banco Popular da China somou 740 mil onças às reservas em setembro, numa altura em que o ouro recuou mais de 6% no mês. A compra prolonga uma sequência de acumulação que já dura quase dois anos.

Redação Clareza
09 de outubro de 2026, 21:313 min de leitura
China aumenta reservas de ouro pelo 23.º mês seguido

O que se passou

O Banco Popular da China aumentou as suas reservas de ouro em setembro, com mais 740 mil onças adicionadas às posições do banco central. Foi o 23.º mês consecutivo de compras.

A instituição é uma das maiores compradoras oficiais de ouro no mundo e intensificou as aquisições nos últimos meses, depois da queda dos preços. Em setembro, o ouro perdeu mais de 6%.

A descida ocorreu num mês em que os preços da energia subiram, pressionados pelo conflito no Médio Oriente, e em que a inflação levou a Reserva Federal norte-americana a subir as taxas de juro.

Apesar da correção, alguns grandes gestores de ativos mantiveram apostas na continuidade dos fatores de longo prazo que sustentam o ouro, depois de terem reconstruído posições quando os preços se aproximaram dos 4.000 dólares por onça.

O que isto significa

As compras da China dão um apoio relevante à procura oficial de ouro, mesmo quando o preço sofre pressão de curto prazo. Para quem investe no metal, o comportamento dos bancos centrais é uma variável importante porque pode compensar parte das vendas de investidores financeiros.

O ouro costuma ser sensível às taxas de juro. Taxas mais altas tornam alternativas com rendimento, como obrigações, mais apelativas face a um ativo que não paga juros. A queda de setembro mostra essa tensão entre política monetária restritiva e procura estrutural por reservas.

A decisão chinesa também mostra que alguns bancos centrais continuam a diversificar reservas para além de ativos financeiros tradicionais. Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, defendeu que o aumento da dívida pública reforça o argumento para os bancos centrais terem mais ouro.

O interesse não se limita à China. Num inquérito do World Gold Council a 74 bancos centrais, publicado em junho, 45% disseram que planeavam comprar ouro no ano seguinte. Foi a maior percentagem desde o início do inquérito, em 2018, e apenas um banco central indicou que pretendia reduzir posições.

Porque deves querer saber

A China mantém compras mesmo com o ouro em queda

A compra de 740 mil onças em setembro mostra que o Banco Popular da China não travou a acumulação durante a correção do preço. A sequência de 23 meses aproxima-se de dois anos de compras contínuas.

Para o mercado, isto cria uma fonte de procura menos dependente do sentimento diário dos investidores. Mesmo assim, a queda de mais de 6% em setembro lembra que as compras oficiais não impedem movimentos negativos quando as taxas de juro e a inflação dominam a negociação.

A dívida pública volta a dar força ao ouro nas reservas

O comentário de Joachim Nagel liga o ouro a uma preocupação de fundo dos bancos centrais. Níveis mais altos de dívida pública podem aumentar o interesse por reservas que não dependem da promessa de pagamento de um governo.

O inquérito do World Gold Council aponta na mesma direção. Quando 45% dos bancos centrais questionados dizem que planeiam comprar ouro, a procura oficial deixa de ser apenas uma decisão chinesa e passa a ser um sinal sobre a gestão de reservas a nível global.

Fontes

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