Brasil vota em eleição que pode alterar a sua posição entre EUA e China
Lula tenta chegar a um quarto mandato presidencial. Flávio Bolsonaro promete uma viragem à direita, com maior alinhamento com os Estados Unidos.
O que se passou
O Brasil vota no domingo na primeira volta das eleições presidenciais. Os eleitores escolhem entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 12 outros candidatos.
Se nenhum candidato tiver mais de 50% dos votos, os dois mais votados seguem para uma segunda volta em 25 de outubro. As sondagens apontam para uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula, do Partido dos Trabalhadores, centra a campanha na soberania brasileira, na redução da semana de trabalho tradicional de seis dias, em cortes no imposto sobre o rendimento para salários mais baixos e em reformas no policiamento.
Flávio Bolsonaro, senador e filho do antigo presidente Jair Bolsonaro, é visto como herdeiro político do movimento do pai. A sua plataforma favorece privatizações, cortes na despesa e maior proximidade aos Estados Unidos.
A relação entre Brasília e Washington tem sido tensa. Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil em julho de 2025, em resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder as eleições de 2022.
O que isto significa
A eleição decide mais do que a orientação interna da maior economia da América Latina. O resultado pode mudar o lugar do Brasil na rivalidade entre Estados Unidos e China.
Uma vitória de Flávio Bolsonaro aproximaria o país da política externa norte-americana. Isso poderia mexer na relação com a China, descrita no material como o principal parceiro comercial do Brasil.
Uma vitória de Lula manteria uma linha mais próxima da dos últimos anos. A campanha insiste na soberania brasileira e numa posição menos alinhada com Washington.
Para quem investe, a incerteza está na combinação entre política comercial, dívida e direção económica. Privatizações e cortes na despesa apontam para uma agenda diferente da de Lula, que dá mais peso a medidas sociais e laborais.
Porque deves querer saber
O Brasil pode mudar de eixo diplomático
A primeira reação dos mercados tende a depender da leitura sobre comércio externo, tarifas e relação com Washington. O Brasil já enfrenta tarifas de 50% dos Estados Unidos, anunciadas em julho de 2025.
Se Flávio Bolsonaro vencer, os investidores passam a avaliar uma maior aproximação aos Estados Unidos. Se Lula ganhar, o foco recai na continuidade da atual postura face a Washington e Pequim.
A América Latina entra mais na disputa entre potências
A eleição brasileira ganha peso porque ocorre numa região onde vários governos de direita chegaram ao poder nos últimos 12 meses. O Brasil, por ser a maior economia regional, pode inclinar o equilíbrio político da América Latina.
A China é apresentada como o principal parceiro comercial do Brasil. Qualquer mudança nessa relação teria impacto para empresas expostas a matérias-primas, comércio agrícola e cadeias de abastecimento ligadas ao país.

