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Macroeconomia

Brasil vota em eleição que pode alterar a sua posição entre EUA e China

Lula tenta chegar a um quarto mandato presidencial. Flávio Bolsonaro promete uma viragem à direita, com maior alinhamento com os Estados Unidos.

Redação Clareza
03 de outubro de 2026, 08:023 min de leitura
Brasil vota em eleição que pode alterar a sua posição entre EUA e China

O que se passou

O Brasil vota no domingo na primeira volta das eleições presidenciais. Os eleitores escolhem entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 12 outros candidatos.

Se nenhum candidato tiver mais de 50% dos votos, os dois mais votados seguem para uma segunda volta em 25 de outubro. As sondagens apontam para uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Lula, do Partido dos Trabalhadores, centra a campanha na soberania brasileira, na redução da semana de trabalho tradicional de seis dias, em cortes no imposto sobre o rendimento para salários mais baixos e em reformas no policiamento.

Flávio Bolsonaro, senador e filho do antigo presidente Jair Bolsonaro, é visto como herdeiro político do movimento do pai. A sua plataforma favorece privatizações, cortes na despesa e maior proximidade aos Estados Unidos.

A relação entre Brasília e Washington tem sido tensa. Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil em julho de 2025, em resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder as eleições de 2022.

O que isto significa

A eleição decide mais do que a orientação interna da maior economia da América Latina. O resultado pode mudar o lugar do Brasil na rivalidade entre Estados Unidos e China.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro aproximaria o país da política externa norte-americana. Isso poderia mexer na relação com a China, descrita no material como o principal parceiro comercial do Brasil.

Uma vitória de Lula manteria uma linha mais próxima da dos últimos anos. A campanha insiste na soberania brasileira e numa posição menos alinhada com Washington.

Para quem investe, a incerteza está na combinação entre política comercial, dívida e direção económica. Privatizações e cortes na despesa apontam para uma agenda diferente da de Lula, que dá mais peso a medidas sociais e laborais.

Porque deves querer saber

O Brasil pode mudar de eixo diplomático

A primeira reação dos mercados tende a depender da leitura sobre comércio externo, tarifas e relação com Washington. O Brasil já enfrenta tarifas de 50% dos Estados Unidos, anunciadas em julho de 2025.

Se Flávio Bolsonaro vencer, os investidores passam a avaliar uma maior aproximação aos Estados Unidos. Se Lula ganhar, o foco recai na continuidade da atual postura face a Washington e Pequim.

A América Latina entra mais na disputa entre potências

A eleição brasileira ganha peso porque ocorre numa região onde vários governos de direita chegaram ao poder nos últimos 12 meses. O Brasil, por ser a maior economia regional, pode inclinar o equilíbrio político da América Latina.

A China é apresentada como o principal parceiro comercial do Brasil. Qualquer mudança nessa relação teria impacto para empresas expostas a matérias-primas, comércio agrícola e cadeias de abastecimento ligadas ao país.

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