Queda nos chips alarga-se à Ásia e à Europa
As ações de semicondutores recuaram em várias bolsas depois das perdas em Wall Street. Micron, ASML, SK Hynix, Samsung e SoftBank estiveram entre os nomes pressionados.
O que se passou
As ações de tecnologia caíram na terça-feira, com a pressão nas empresas de semicondutores dos EUA a espalhar-se aos mercados asiáticos e europeus. A descida veio depois de uma sessão fraca em Wall Street na segunda-feira, em que o Nasdaq Composite perdeu 0,44%.
Nos EUA, a Micron recuava cerca de 3% antes da abertura, depois de ter caído 3,9% na sessão anterior. Outras empresas ligadas à memória, como SanDisk, Seagate e Western Digital, também negociavam cerca de 3% abaixo.
Na Europa, a ASML descia 3,3% no início da sessão. A STMicroelectronics e a Infineon caíam 5%, enquanto a BE Semiconductor e a ASM International perdiam cerca de 4% na abertura.
A pressão foi mais forte na Ásia. A SK Hynix, fornecedora relevante de chips de memória de elevada largura de banda usados em aplicações de inteligência artificial, afundou mais de 10%. A Samsung Electronics caiu 7,4%, com ambas a tocarem mínimos desde agosto. No Japão, a SoftBank Group perdeu 8,5%, a Tokyo Electron recuou 7,2% e a Advantest caiu 2,9%.
O que isto significa
A venda atingiu sobretudo empresas expostas à cadeia dos semicondutores e à inteligência artificial. A preocupação imediata está na combinação entre dúvidas sobre o financiamento da IA e sinais de maior concorrência, em especial no mercado de memória.
A chinesa ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT, anunciou no fim de semana progressos numa nova arquitetura de chip pensada para aumentar a densidade de memória, ou seja, guardar mais dados no mesmo espaço físico. A empresa é vista como a principal rival chinesa de Micron, SK Hynix e Samsung Electronics.
Vey-Sern Ling, consultor sénior de ações da UBP, disse à CNBC que os investidores estão mais nervosos e a procurar razões para realizar ganhos em ações ligadas à IA que já tinham subido muito este ano, sobretudo as de memória. O mesmo responsável assinalou que os fabricantes chineses ainda enfrentam obstáculos tecnológicos, em particular em memória mais avançada como HBM, usada para alimentar aplicações de IA.
Phillip Wool, estratega-chefe de mercados da Rayliant Global Advisors, considerou que o avanço da CXMT é relevante para os fabricantes chineses. Ainda assim, disse que a reação do mercado parece exagerada face à ameaça competitiva imediata, porque a CXMT ainda não demonstrou produção em larga escala e continua atrás da Samsung e da SK Hynix em quota de mercado.
Porque deves querer saber
A memória ficou no centro da venda
As maiores quedas concentraram-se em empresas ligadas a chips de memória e equipamento para semicondutores. A SK Hynix e a Samsung foram penalizadas de forma mais intensa, enquanto Micron, ASML e outros fornecedores da cadeia também recuaram.
A ligação à inteligência artificial explica parte da sensibilidade. A memória de elevada largura de banda, conhecida como HBM, é usada para mover grandes volumes de dados em aplicações de IA. Quando surgem dúvidas sobre concorrência ou sobre o ritmo de investimento em IA, estas empresas ficam entre as primeiras a sentir pressão.
A China voltou a pesar na avaliação dos chips
O anúncio da CXMT reacendeu a discussão sobre a capacidade da China para reduzir a distância tecnológica face aos líderes dos EUA e da Coreia do Sul. Elon Musk também alimentou essa atenção ao escrever que a China costuma escalar produção com grande força quando domina o fabrico de um produto.
A questão para o setor não é apenas a inovação técnica. É saber se um novo concorrente consegue produzir em escala e alterar o equilíbrio entre oferta e procura. Os analistas citados continuam a ver essa ameaça como limitada no curto prazo, sobretudo nos chips de memória mais avançados.


