Saltar para o conteúdo
Dados de mercado temporariamente indisponíveis.

Recebe o Café com Clareza

Três notícias explicadas, os números do mercado e a leitura da equipa Clareza. Todos os dias úteis às 8h30, em 5 minutos.

Mercados

Queda nos chips alarga-se à Ásia e à Europa

As ações de semicondutores recuaram em várias bolsas depois das perdas em Wall Street. Micron, ASML, SK Hynix, Samsung e SoftBank estiveram entre os nomes pressionados.

Redação Clareza
13 de outubro de 2026, 10:033 min de leitura
Queda nos chips alarga-se à Ásia e à Europa

O que se passou

As ações de tecnologia caíram na terça-feira, com a pressão nas empresas de semicondutores dos EUA a espalhar-se aos mercados asiáticos e europeus. A descida veio depois de uma sessão fraca em Wall Street na segunda-feira, em que o Nasdaq Composite perdeu 0,44%.

Nos EUA, a Micron recuava cerca de 3% antes da abertura, depois de ter caído 3,9% na sessão anterior. Outras empresas ligadas à memória, como SanDisk, Seagate e Western Digital, também negociavam cerca de 3% abaixo.

Na Europa, a ASML descia 3,3% no início da sessão. A STMicroelectronics e a Infineon caíam 5%, enquanto a BE Semiconductor e a ASM International perdiam cerca de 4% na abertura.

A pressão foi mais forte na Ásia. A SK Hynix, fornecedora relevante de chips de memória de elevada largura de banda usados em aplicações de inteligência artificial, afundou mais de 10%. A Samsung Electronics caiu 7,4%, com ambas a tocarem mínimos desde agosto. No Japão, a SoftBank Group perdeu 8,5%, a Tokyo Electron recuou 7,2% e a Advantest caiu 2,9%.

O que isto significa

A venda atingiu sobretudo empresas expostas à cadeia dos semicondutores e à inteligência artificial. A preocupação imediata está na combinação entre dúvidas sobre o financiamento da IA e sinais de maior concorrência, em especial no mercado de memória.

A chinesa ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT, anunciou no fim de semana progressos numa nova arquitetura de chip pensada para aumentar a densidade de memória, ou seja, guardar mais dados no mesmo espaço físico. A empresa é vista como a principal rival chinesa de Micron, SK Hynix e Samsung Electronics.

Vey-Sern Ling, consultor sénior de ações da UBP, disse à CNBC que os investidores estão mais nervosos e a procurar razões para realizar ganhos em ações ligadas à IA que já tinham subido muito este ano, sobretudo as de memória. O mesmo responsável assinalou que os fabricantes chineses ainda enfrentam obstáculos tecnológicos, em particular em memória mais avançada como HBM, usada para alimentar aplicações de IA.

Phillip Wool, estratega-chefe de mercados da Rayliant Global Advisors, considerou que o avanço da CXMT é relevante para os fabricantes chineses. Ainda assim, disse que a reação do mercado parece exagerada face à ameaça competitiva imediata, porque a CXMT ainda não demonstrou produção em larga escala e continua atrás da Samsung e da SK Hynix em quota de mercado.

Porque deves querer saber

A memória ficou no centro da venda

As maiores quedas concentraram-se em empresas ligadas a chips de memória e equipamento para semicondutores. A SK Hynix e a Samsung foram penalizadas de forma mais intensa, enquanto Micron, ASML e outros fornecedores da cadeia também recuaram.

A ligação à inteligência artificial explica parte da sensibilidade. A memória de elevada largura de banda, conhecida como HBM, é usada para mover grandes volumes de dados em aplicações de IA. Quando surgem dúvidas sobre concorrência ou sobre o ritmo de investimento em IA, estas empresas ficam entre as primeiras a sentir pressão.

A China voltou a pesar na avaliação dos chips

O anúncio da CXMT reacendeu a discussão sobre a capacidade da China para reduzir a distância tecnológica face aos líderes dos EUA e da Coreia do Sul. Elon Musk também alimentou essa atenção ao escrever que a China costuma escalar produção com grande força quando domina o fabrico de um produto.

A questão para o setor não é apenas a inovação técnica. É saber se um novo concorrente consegue produzir em escala e alterar o equilíbrio entre oferta e procura. Os analistas citados continuam a ver essa ameaça como limitada no curto prazo, sobretudo nos chips de memória mais avançados.

Fontes

As empresas desta notícia

Avaliadas todos os dias pelo Clareza
Partilhar

Esta análise foi útil?