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Energia

AIE prevê aperto no diesel até à segunda metade de 2027

A Agência Internacional de Energia diz que a guerra no Irão, a queda dos inventários e a procura resistente estão a pressionar o mercado. Os preços grossistas chegaram a cerca de 220 dólares por barril na Europa e nos Estados Unidos.

Redação Clareza
14 de outubro de 2026, 12:033 min de leitura
AIE prevê aperto no diesel até à segunda metade de 2027

O que se passou

A Agência Internacional de Energia, AIE, alertou no seu relatório mensal de outubro que as limitações no mercado do diesel devem prolongar-se até à segunda metade de 2027.

A agência apontou para um aperto fora do padrão sazonal no terceiro trimestre e para quedas de inventários mais fortes do que o habitual nos três meses anteriores. Isso deixou o mercado global de gasóleo com menos reservas antes do período de maior procura no inverno.

Em setembro, as exportações globais de diesel caíram 700 mil barris por dia face ao mesmo mês do ano anterior. A AIE estimou uma perda de 1,3 milhões de barris por dia na Rússia e no Médio Oriente, apenas parcialmente compensada por mais oferta de outras origens.

A AIE disse que a procura por diesel se manteve forte, apesar de os preços elevados terem enfraquecido a procura por petróleo em geral. A agência atribuiu essa resistência, em parte, a medidas públicas destinadas a aliviar o impacto dos preços altos nos consumidores.

Os preços grossistas do diesel superaram 200 dólares por barril em Singapura em meados de setembro e atingiram máximos históricos de cerca de 220 dólares por barril na Europa e nos Estados Unidos. Nos EUA, o preço do diesel chegou a 6 dólares por galão pela primeira vez no mês passado.

O que isto significa

O diesel é usado em transporte rodoviário, logística, agricultura e indústria. Quando a sua oferta aperta, o efeito pode chegar a várias cadeias de custos antes de aparecer nos preços finais pagos por empresas e consumidores.

A AIE indica que mesmo uma recuperação rápida da atividade das refinarias até ao fim do ano não deverá ser suficiente para satisfazer a procura no quarto trimestre de 2026. A reposição dos inventários perdidos, fora das oscilações sazonais normais, não é esperada antes da segunda metade de 2027.

A pressão no diesel mantém os custos operacionais no centro da análise dos investidores em energia, transportes ou indústria. Empresas com maior exposição a combustíveis podem enfrentar margens mais sensíveis, sobretudo se não conseguirem repercutir integralmente os preços nos clientes.

A agência também prevê que a procura total de petróleo caia, em média, 2,6 milhões de barris por dia em 2026, com o diesel a representar 25% dessa quebra. Do lado da oferta, antecipa uma descida média anual de 5,8 milhões de barris por dia este ano, antes de uma subida de 7,7 milhões de barris por dia em 2027.

A geopolítica continua a condicionar o mercado. Donald Trump afirmou ter fechado um acordo com Vladimir Putin para a Rússia fornecer de imediato 300 mil toneladas métricas de diesel ao mercado global, mas Valdis Dombrovskis, comissário europeu da Economia e Produtividade, disse que esses volumes não teriam significado macroeconómico e questionou a capacidade de entrega russa.

Porque deves querer saber

O combustível que mantém os custos em alerta

O aperto no diesel afeta diretamente setores que dependem de transporte e maquinaria. Distribuição, agricultura e indústria usam este combustível como custo recorrente, por isso preços mais altos podem reduzir margens quando os contratos não permitem ajustes rápidos.

A pressão é diferente da de outros produtos petrolíferos porque a procura por diesel reage menos ao preço. Se empresas e consumidores não conseguem reduzir facilmente o consumo, o mercado precisa de mais oferta ou de inventários mais altos para aliviar os preços.

A energia continua presa à geopolítica

A quebra das exportações da Rússia e do Médio Oriente mostra como conflitos e sanções podem alterar o equilíbrio global de combustíveis refinados. Mesmo quando há produção noutros pontos, substituir volumes perdidos não é imediato.

A Europa, África e América Latina são mercados importadores importantes de gasóleo. A AIE avisou que tensões no frete de crude podem voltar a elevar os preços entregues nessas regiões nas próximas semanas, o que mantém a energia como um risco para inflação e atividade económica.

Fontes

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